1982 minha progenitora expulsa de casa
Começava sua saga
No interior sem escolha, virou garota de programa
Promessa de uma vida boa, boa? Pra quem?
Engravidou sem saber quem era o pai
Num mundo abstrato sem sentimentos, sem amor, sem família
Nascía um bastardo, sem glória, sem sobrenome
Choro e agonia
Nascido em 85, deixado para morrer
Desde criança venço várias batalhas pra não desaparecer
Enrolado num pano veio pra capital
Deixado com seus avós pra exercerem o cuidado maternal
Traumas familiares cercaram sua vida até adolescência
Ganhava no hip-hop e nas biqueiras perdia sua inocência
Desacreditado, desafiado, deixado de lado
Apenas ele, uma vontade de vencer e umas gramas de baseado
Se conectou com sua fé e seus antepassados
Se soubesse que era tão difícil não tinha entrado nesse barco
Com muita luta se livrou dos fantasmas
Mas olhando em seus olhos é possível ver as dores de sua alma
Depois de 40 anos, fugiu do deserto
Se sente desperto, precisa levar a luz dos seus passos
Para o povo que anda disperso
Saiu da caverna, agora sabe o que te espera
Supera, e faz as suas entregas
De Paranavaí pra CWB, não sabia se chegaria
Mas contrariando as estatísticas tô aqui
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