Os acordes mais usados no sertanejo são os acordes com cordas soltas, os acordes naturais (maiores e menores), os acordes com sétima menor, os acordes com nona e os acordes invertidos.
Juntos, eles formam a base harmônica que dá aquela sonoridade característica ao gênero, seja em uma batida animada ou em um dedilhado mais introspectivo.
A seguir, você vai entender como cada um desses acordes funciona, com cifras e vídeos de exemplo para praticar as principais progressões do gênero. Vamos lá?
O que você precisa saber para tocar os acordes mais usados na música sertaneja
Para entender por completo os acordes mais usados no sertanejo, ajuda ter uma noção prévia de três assuntos: intervalos musicais, cifras e campo harmônico.
Os intervalos musicais mostram a distância entre duas notas e são a base para entender como um acorde é formado – por exemplo, o que diferencia um acorde maior de um menor.
Já a cifra é o sistema de notação que representa esses acordes de forma simplificada, usando letras (como C, G ou Am) em vez de partituras.
E o campo harmônico reúne todos os acordes que pertencem a uma mesma tonalidade, organizados por graus – é o que permite identificar progressões, como a famosa 1-5-6-4, em qualquer tom.
Com essas três bases em mente, fica mais fácil entender por que cada um dos acordes a seguir é tão presente na música sertaneja.
1. Acordes com cordas soltas
Os acordes com cordas soltas são os queridinhos das cifras sertanejas. Eles têm uma sonoridade mais ampla, envolvente e ressonante do que os acordes com pestana, e soam bem tanto em batidas quanto em dedilhados.
Por isso, o capotraste é um item essencial para quem quer tocar sertanejo: ele permite usar acordes com cordas soltas em qualquer tonalidade ou região do braço do violão, mesmo quando a música pede outro tom.
2. Acordes naturais
Os acordes naturais – aqueles shapes básicos formados apenas por tônica, terça e quinta justa – também estão no topo da lista dos acordes mais usados no sertanejo.
Aqui entram dois tipos principais: os maiores e os menores. Os acordes maiores transmitem uma sensação mais alegre, pela terça maior, enquanto os menores soam mais introspectivos.
Ambos são igualmente usados no gênero: os maiores costumam dominar as canções mais rápidas e dançantes, e os menores se destacam nas baladas mais lentas.
Para sentir a diferença na prática, toque o acorde C seguido do Cm – a mudança é imediata:

3. Acordes com sétima menor
Os acordes com sétima menor estão presentes em boa parte dos hits sertanejos.
Repare nas cifras das suas músicas preferidas do gênero e provavelmente vai encontrar acordes com sétima, maiores ou menores. A sétima menor é a nota que se encontra um tom abaixo da tônica.
Esse tipo de tétrade é popular porque sua sonoridade gera uma tensão que exige resolução: os acordes com sétima menor “chamam” outros acordes.
Em uma música no tom de Dó maior, por exemplo, o acorde G7 praticamente invoca o acorde C:

Por isso, o recurso é muito usado para preparar a entrada do refrão.
4. Acordes com nona
Para dar um som mais refinado a um acorde básico, experimente adicionar a nona à formação da tríade. É um recurso muito usado no sertanejo, principalmente nas baladas mais envolventes.
A nona é a mesma nota da segunda, porém uma oitava mais aguda. Na escala de Dó maior, por exemplo, a segunda e a nona são a nota Ré.
Alguns acordes com nona muito presentes no sertanejo são A9, C9 e D9. Confira a seguir como fica a formação de cada um e execute-os no violão para perceber como a sonoridade fica mais complexa do que a de um acorde simples:

5. Acordes invertidos
Os acordes invertidos também são figurinhas carimbadas no sertanejo. Um acorde é considerado invertido quando a nota mais grave não é a tônica – ou seja, o baixo foi trocado, daí o nome.
A terça é a nota mais comum nessa substituição, mas a quinta e a sétima também podem ocupar essa função.
Os acordes com baixo invertido são muito usados em progressões descendentes, como C – G/B – Am:

Repare que o segundo acorde usa a terça (Si) no lugar da fundamental (Sol).
Progressões de acordes mais usadas no sertanejo
Além de conhecer os acordes, vale entender como eles se combinam. Usando os graus do campo harmônico, é possível identificar sequências que funcionam como uma espécie de “fórmula” da sonoridade sertaneja, presentes em muitas canções diferentes.
Confira as três mais comuns!
Progressão 1 – 5 – 6 – 4
No tom de Dó maior, essa progressão fica C – G – Am – F. No tom de Sol maior, G – D – Em – C. E no tom de Ré maior, D – A – Bm – G.
Um bom exemplo é Na Hora da Raiva, de Henrique & Juliano, no tom de Dó maior. Repare como a nona adicionada ao acorde F deixa a sonoridade mais elegante.
Progressão 1 – 5 – 2 – 4
Um bom exemplo é Todo Mundo Vai Sofrer, de Marília Mendonça, no tom de Ré maior D – A – Em – G (na versão simplificada).
Progressão 1 – 4 – 6 – 5
Essa progressão usa os mesmos graus da primeira, mas em outra ordem. Um exemplo é Que Sorte a Nossa, de Matheus & Kauan: G – C – Em – D.
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