O Sol nasceu, a praça acordou O dono da terra o convite lançou Cedo o dia, o suor começou Promessa feita, o acordo selou Uma moeda, o preço do dia O Sol a pino, a meta seguia Mas o tempo escorre, a sorte varia Em busca de braços, a oferta crescia Na hora da sombra, na hora final O último grupo sem o seu jornal Por que estão parados? O dono indagou Ninguém nos chamou, o medo falou Vão lá pra dentro, colher o que há O que for justo, lhes darei ao passar E quando a luz do poente se apaga O balanço da vida, o esforço se paga Não é pelo tempo, não é pela cor Mas pelo direito do trabalhador Quem chegou por último, colhe o valor De quem, desde cedo, a carga levou A balança vira, o jogo mudou Quem era o último, o primeiro se achou A fila se forma, o pagamento chegou Quem esperou tudo, o cansaço pesou Viu quem chegou tarde, com o mesmo valor A indignação no peito virou dor Trabalhamos o dia sob o calor Suportamos o peso, o Sol e a flor Por que a igualdade em valor e em nome? Indaga o que sente o estômago que fome Mas a voz ecoa com calma e razão Não houve injustiça na minha decisão O trato foi feito, o combinado está em pé Não olho o relógio, olho o que é Por que se incomoda com a minha bondade? Se a sorte é a mesma, se iguala a vontade? E quando a luz do poente se apaga O balanço da vida, o esforço se paga Não é pelo tempo, não é pela cor Mas pelo direito do trabalhador Quem chegou por último, colhe o valor De quem, desde cedo, a carga levou A balança vira, o jogo mudou Quem era o último, o primeiro se achou A roda que gira, o prumo da vida Nem sempre a medida é a mesma corrida O primeiro se perde na própria ilusão O último alcança a mesma direção O Sol se pôs O dia acabou A conta fechou