Talento e Formosura

Paraguassu

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Tu podes bem guardar os dons da formosura
Que o tempo, um dia, há de implacável trucidar
Tu podes bem viver ufana da ventura
Que a natureza, cegamente, quis te dar

Prossegue embora em flóreas sendas, sempre ovante
De glórias cheia e no teu sólio triunfante
Que antes que a morte vibre em ti funéreo golpe seu
A natureza irá roubando o que te deu

E quanto a mim, irei cantando o meu ideal de amor
Que é sempre novo no viçor da primavera
Na lira austera em que o Senhor me fez tão destro
Será meu estro só do que for imortal

E quando a parca então travar na sepultura
O teu orgulho em podridão reduzirá
Virão os vermes desflorar-te a formosura
De que na terra mais ninguém se lembrara

Mas quando a morte relatar meus dissabores
Serei lembrado pelos bardos trovadores
Que os versos meus hão de na lira em magos tons gemer
Eu morto embora nas canções hei de viver

Descantarei na minha lira das estrelas o fulgor
Da flor, o mago odor que vem saudade despertar
Exponho heis que em branca areia inquieto mar vem derramar
São fontes perenais de gente amar

Conheci a rosa que senvale e se debruça em leve astil
E a fonte que soluça e que lhe fale em flori e amar
Bastão somente para os bardos inspirar

Informações da música

Composição: Catulo da Paixão Cearense e Edmundo Otávio Ferreira

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