Não é ausência na distância É presença que muda de lugar Teu silêncio encosta no meu ombro Quando a casa insiste em se calar Fica um sabor meio aceso na mesa Teu riso dobrado no sofá Um jeito teu de abrir a janela Quando o dia aprende a voltar Eu caminho nas ruas do bairro Como quem te ouve sem som Te encontro no gesto mais mínimo No quase que sobra do tom Não é ausência na distância É você sem se afastar É a falta cheia de nome Que não cansa de chamar Se te perco no horizonte Te encontro no respirar Não é ausência na distância É outro jeito de estar Teu perfume ficou nas horas Feito chuva que não se vê É um tempo que gira por dentro Sem pedir pra acontecer E se a noite me pede respostas Eu respondo sem explicar Há presenças que não cabem no corpo Mas se recusam a faltar Não é ausência na distância É você sem se afastar É a falta cheia de nome Que não cansa de chamar Se te perco no horizonte Te encontro no respirar Não é ausência na distância É outro jeito de estar