Filha dos cerros onde o Sol se esconde Onde o jaguar ruge e a pomba chora Chegou a hora, já desponta a aurora Deixa eu te abraçar, deixa eu te beijar Deixa eu te abraçar, deixa eu te beijar Sentir teu peito junto ao meu pulsar E na minha alma perceber vibrar Tudo que em mim é teu sem explicar Teu riso ingênuo, teu choro de criança Os sonhos lindos cheios de esperança Que a gente fez na solidão a dois Embriagados de amor e emoção Idólatras da luz, dos teus fulgores Da natureza, mãe dos nossos amores Que uniu nossas almas numa só canção E deu sentido ao meu coração Mas hoje eu parto, tenho que seguir Meu destino chama, não posso fugir Um último gesto antes de partir E o mundo inteiro pode me ferir Adeus, adeus, não chora assim Tuas lágrimas queimam dentro de mim Se a dor é lei que temos que cumprir Que seja agora, deixa acontecer Adeus, adeus, não olha pra trás O que vivemos não volta jamais Duas vezes não se chora assim Guarda esse amor, dentro de ti Não me condena, eu te dei tudo Meus sonhos, minha alma, meu mundo Mas contra o tempo eu nada posso fazer É essa dor que resta pra viver Não vais ouvir meus versos ao vento Nem ver teus cabelos em flores ao relento Tudo que fomos vai se desfazer Como um suspiro que não quer morrer Mas eu carrego a dor de existir Como um castigo que não vai ter fim Peço descanso, mas nem a morte vem E o silêncio não responde ninguém Adeus, adeus, não chora assim Tuas lágrimas queimam dentro de mim Se a dor é lei que temos que cumprir Que seja agora, deixa acontecer Adeus, adeus, não olha pra trás O que vivemos não volta jamais Duas vezes não se chora assim Guarda esse amor, dentro de ti Se a dor é necessária, então Que se cumpra a lei do coração