O vento sussurrando Na orelha das nuvens Seu ar quente e úmido Já anuncia Árvores retorcidas Em ritmo dançante Folhas e galhos Se contagiam A Tempestade Que está por vir Ao longo do dia A tarde se aproxima No céu escuro e pálido Cigarras e formigas Sincronizam a melodia Um homem de idade Trajando seu casaco Avisa o que todos Já sabiam A Tempestade Que está por vir Ao longo do dia O Sol sob manto fosco Deixa a escuridão entrar Mostrando a face negra do tempo Onde tudo pode passar Disfarçada a noite chega E com ela a aflição Na penumbra da incerteza E da mansidão A Tempestade Que está por vir Ao longo do dia A floresta se encolhe Camuflada de musgos Deixando à mostra Seu brilho noturno A cidade sangra Por todos os lados Estradas e túneis Sempre alagados A Tempestade Que está por vir Ao longo do dia Clarões em noite soturna Arrepiam as silhuetas das almas Provocando calafrio No berço de que lhe afaga O caos é iminente A preocupação é constante Mas és que o tempo muda E com ele a calmaria A Tempestade Que se encerra No fim do dia